A Madeira é a região do País com mais teleféricos. São 7 no total, motivo mais do que suficiente para nos metermos num avião e rumarmos até à Pérola do Atlântico. Para nos entendermos melhor daqui em diante, aqui fica a explicação sucinta do que é uma fajã: porção de terra plana, em geral cultivável, de pequena extensão, situada à beira-mar. Saber o que é dá jeito não só para entender a localização dos teleféricos mas também o que os rodeia.
1 – O melhor para passar um dia – Teleférico da Fajã dos Padres
Teleférico da Fajã dos Padres
Não é apenas um teleférico, é um paraíso escondido da ilha da Madeira. Pode chegar-se à Fajã dos Padres de barco mas a ideia é mesmo descer os cerca de 500 metros de teleférico e entrar num mundo à parte. O caminho, rodeado de bananeiras, parece saído de uma novela da Globo dos anos 90 (do tempo em que as novelas eram mesmo boas). Caminha-se e, à volta, entre a vegetação, vamos vendo pequenas casinhas.
São 8 unidades de alojamento onde se pode pernoitar com uma vista ímpar sobre o mar. Os preços começam nos 202€ por noite (estadia mínima de duas noites), de acordo com simulação no Booking.
Se optar apenas por visitar a Fajã dos Padres, também há muito para fazer. Para começar, dar um mergulho nas águas límpidas (há uma plataforma com espreguiçadeiras e escadas para aceder ao mar, além de praia de pedra rolada) e, quando a fome apertar, almoçar no restaurante com vista para o mar, onde são servidas especialidades madeirenses, desde o atum vindo do Atlântico até ao imprescindível bolo do caco.
2 – O segredo mais bem guardado – Teleférico das Fajãs do Cabo Girão
Com uns respeitáveis 580 metros, o Cabo Girão é o mais alto da Europa. Coisas que a pessoa não sabia e aprende quando anda a percorrer a ilha, saltando de teleférico em teleférico, e vai parar a este recanto incrível em Câmara de Lobos. Pouco frequentado por turistas e mesmo por locais, o teleférico do Cabo Girão é um daqueles sítios para se gabar aos amigos de ter ido. Utilizado inicialmente como meio de transporte pelos agricultores da freguesia da Quinta Grande para aceder às fajãs, este teleférico permite ter uma vista fabulosa não só do promontório mas também dá acesso à Praia da Fajã do Rancho (recomendamos percorrer o trilho à beira-mar, que oferece uma vista impressionante sobre as rochas e o mar).
Os menos aventureiros podem optar por ficar no miradouro, onde existe um bar e restaurante. O único problema do Teleférico das Fajãs do Cabo Girão é o facto de as cabines estarem bastante riscadas, o que torna a visibilidade menor (e a captação de imagens mais difícil).
3 – A melhor vista sobre o Funchal – Teleférico do Monte
Quer andar no mais conhecido teleférico da Madeira? Aproveite até ao final de 2025 porque, nos primeiros três meses de 2026, o teleférico vai encerrar para “obras de requalificação, de modernização e de ampliação” e também “substituição do cabo”, revelou Ricardo Pinto Correia, administrador da Madeira Cable Car, empresa que gere esta infraestrutura, à RTP Madeira.
Com um percurso de pouco mais de 3 quilómetros, esta infraestrutura com 25 anos de existência é um dos ex-libris do Funchal. Permite aos visitantes ter uma visão panorâmica da cidade, desde a baía, passando pela zona histórica, subindo pela encosta até ao Monte.
Apesar de não ser barato (20€, ida e volta), é uma opção excelente para quem tem pouco tempo de visita ao Funchal e quer ter uma perspetiva geral da cidade. Chegados à Vila do Monte, pode visitar o Jardim Tropical Monte Palace, o Parque Leite Monteiro e também a Igreja do Monte. A escassos metros da estação do Monte, pode continuar a volta à Madeira em teleféricos, porque entrada no Teleférico do Jardim Botânico fica mesmo ali.
4 – O mais romântico – Teleférico do Jardim Botânico
“A Madeira é um jardim / A Madeira é um jardim / No mundo não há igual / “No mundo não há igual”. Haters vão dizer que os versos do “Bailinho da Madeira” são exagero, mas os haters nunca foram à Madeira. Se esta ilha de um verde luxuriante, onde em qualquer recanto brotam flores, plantas, fruta e legumes, é um jardim, o Jardim Botânico é um mostruário histórico dessa riqueza. E nada como fazer a viagem entre o Monte e o Jardim Botânico para perceber isso. O percurso é silencioso, bucólico e permite contemplar o Funchal de outra perspetiva. O teleférico perfeito para os apaixonados que querem viver momentos inesquecíveis a dois.
Pode escolher comprar apenas a viagem de teleférico mas recomendamos vivamente o combinado com a visita ao Jardim Botânico da Madeira. Esta atração é uma espécie de mundo vegetal em miniatura: oito hectares, mais de duas mil espécies exóticas vindas de todos os continentes e miradouros que mostram a cidade como se fosse uma pintura. Abriu ao público em 1960, mas já era sonho desde o século XVII. Entre orquídeas, relvados geométricos e um Museu de História Natural instalado na antiga Quinta do Bom Sucesso, é um passeio obrigatório para quem quer ver a Madeira em versão condensada — e deslumbrante.
5 – Só para duros – Teleférico das Achadas da Cruz
Se tem vertigens ou medo deste tipo de atrações, recomendamos vivamente que não passe do miradouro. Não por questões de segurança (todos os teleféricos que visitámos são sujeitos a manutenções e vistorias de segurança periódicas) mas porque a descida a pique assusta até os mais destemidos.
Passado o medo inicial, a descida suave e lenta quanto baste permite contemplar as veredas do Calhau e da Ladeira (onde também existem trilhos muito procurados pelos mais aventureiros). Cá em baixo, fica uma pequena praia de calhau e a Fajã da Quebrada Nova, onde se podem apreciar terrenos cultivados com hortícolas (e ficar com vontade de passar ali uma semana, a pescar e a comer o que nasce da terra). O Teleférico das Achadas da Cruz é também usado para o transporte de produtos agrícolas e, infelizmente, os acrílicos encontram-se bastante riscados, o que torna difícil captar fotos e vídeos da viagem.
6 – A vista mais bonita (estilo “Jurassic Park”) – Teleférico da Rocha do Navio
Filhos dos anos 90 vão entender a referência: uma floresta luxuriante, quedas de água, uma imensidão em que nos sentimos mínimos… mas sem T-Rex. Esta é a sensação que temos ao chegar ao local de partida deste teleférico, situado na Reserva Natural da Rocha do Navio. Mesmo antes de entrarmos na cabine, basta olharmos para a direita para termos a sensação de que este sítio é belo e especial: uma queda de água, que se precipita em direção ao mar.
Chegados às fajãs, onde também existem pequenas casinhas, passamos de “ah, isto parece o Parque Jurássico!” para “ah, parece a aldeia do Astérix”, mas se houvesse bananeiras na Gália. No seu conjunto (viagem de teleférico e paisagem circundante) é o mais instagramável de todos, sobretudo se apanhar sol em Santana. Nunca é demais relembrar aos continentais que devem baixar as expectativas no que toca à constância do tempo na ilha da Madeira. Aqui, basta andar 10 quilómetros para norte, sul, este ou oeste para passar de sol radioso a nevoeiro cerrado. O melhor auxiliar? Consultar as webcams disponíveis no portal NetMadeira.
7 – O mais cool para um dia de verão – Teleférico do Garajau
Sabia que a primeira estátua do Cristo Rei a ser edificada não é a do Rio de Janeiro nem a de Almada? É a do Cristo Rei da Ponta do Garajau. De braços abertos para o Atlântico desde 1927, este monumento é uma das atrações que pode visitar antes de descer o Teleférico do Garajau.
Além da praia, perfeita para passar um dia ao sol, entre mergulhos e a arte de não fazer nada, há um restaurante com esplanada e centro de mergulho. A Reserva Natural Parcial do Garajau é o sonho de qualquer amante de mergulho: águas cristalinas com visibilidade a mais de 20 metros e um desfile de espécies marinhas que vão do enorme mero à elegante jamanta. Criada em 1986 para proteger os fundos marinhos, tornou-se um dos locais de eleição no arquipélago tanto para mergulhadores experientes como para curiosos de snorkel.







