A Madeira é a região do País com mais teleféricos — sete, no total, espalhados pela ilha e abertos a turistas e locais. O mais conhecido, o Teleférico do Monte, transporta visitantes desde a baixa do Funchal até à vila do Monte, e é gerido pela Teleféricos da Madeira.
Em entrevista à TRAVEL MAGG, Ricardo Pinto Correia, presidente do conselho de administração da empresa, fala sobre o sucesso desta infraestrutura com 25 anos de atividade.
Estes sete teleféricos têm funções distintas. Há os mais turísticos e outros que servem os habitantes.
Exatamente. Há dois teleféricos eminentemente turísticos, como o do Jardim Botânico, e depois há outros espalhados pela ilha que acumulam uma função dupla: turismo e apoio agrícola. Nesses casos, servem para transportar produtos cultivados nas fajãs até à estrada, para depois seguirem para a distribuição.
Têm sentido um aumento de procura turística em todos?
Claramente. A Madeira está a viver os melhores anos de turismo de sempre. Desde o fim da pandemia, os números não só recuperaram como ultrapassaram 2019. Em 2023 já tínhamos tido um ano muito bom e este ano vamos superar. Os outros teleféricos — geridos por câmaras, privados ou até associações de agricultores — também registam números muito positivos.
A Teleféricos da Madeira faz a gestão de todos os teleféricos da ilha?
Não. Nós apenas gerimos o do Monte. Há cerca de 15 anos ainda colaborávamos com outros, porque tínhamos pessoal formado e dávamos assistência técnica. Mas deixámos de o fazer: não era rentável nem justificava a responsabilidade extra.
Qual é a média de visitantes por ano no Teleférico do Monte?
Desde a COVID-19, temos tido entre 900 e 950 mil visitantes anuais, em média.
Foi noticiado que está planeada a construção de mais um teleférico no Curral das Freiras. Confirma-se?
Sim. Acho que está para avançar em breve. Será mais um — e concorrência saudável. Estamos satisfeitos por ver a oferta aumentar.
Em termos de operação, como é que funciona um teleférico?
No fundo, é um transporte por cabo. Tem um motor principal elétrico, mas em caso de falha há redundância: motor a gasóleo e ainda um gerador. Esse gerador não serve para manter o funcionamento contínuo, mas permite retirar as pessoas em segurança, caso todos os outros sistemas falhem.
E em termos de manutenção?
A segurança é a nossa bandeira principal. Mesmo com 25 anos, muita coisa foi substituída ou melhorada, tanto a nível mecânico como informático. Sempre que o fabricante austríaco lança uma atualização, tentamos aplicá-la cá, para continuarmos a ter o que há de mais moderno no setor.
Quem detém os teleféricos? São sempre autarquias?
Não. Há variações. Os que têm função agrícola e turística são muitas vezes da responsabilidade das câmaras municipais, que os constroem e exploram. Os eminentemente turísticos, como este do Monte, são privados, mas sempre em regime de concessão municipal. No fim da concessão, tudo reverte para a Câmara do Funchal.
Em que condições um teleférico para?
Está encerrado apenas no dia de Natal. Fora isso, só pára com mau tempo — sobretudo vento. Não é tanto por segurança estrutural, mas por conforto: basta balançar um pouco que as pessoas ficam receosas. O objetivo não é dar sustos, mas proporcionar uma boa experiência.
Quanto tempo dura a viagem?
Depende da velocidade. Na mais lenta, 20 minutos. Na mais rápida, 12. Usamos a mais rápida quando há grandes concentrações de passageiros, como acontece quando os cruzeiros atracam.
* A TRAVEL MAGG visitou a ilha a convite da Associação de Promoção da Madeira
